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HISTÓRIA DO GRÉME

A Sociedade Philarmónica, cuja fundação remonta a meados do século XIX, foi o primeiro agrupamento, que se sabe ter praticado a música filarmónica em Sesimbra, e dele descenderam as demais bandas e grupos musicais que existiram na nossa terra, como é o caso da Sociedade Musical Sesimbrense que se mantém desde 1914. Este primeiro agrupamento foi dirigido por José António Pereira, nascido em Lisboa em 1812, homem culto e intelectual, antigo partidário miguelista que se havia radicado em Sesimbra após a guerra civil. 

O ano de 1853, a partir do qual se conta a existência do Grémio, corresponde à primeira apresentação pública do agrupamento musical que lhe deu origem, apesar de existirem textos que indicam a sua existência cinco anos antes. Como não se conhece o dia exato, foi convencionado o dia 2 de fevereiro para a comemoração do seu aniversário, data da inauguração da sua sede definitiva em 1880. 

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Com o objectivo de transformar a jovem sociedade numa verdadeira agremiação musical, em 1872 um grupo de sócios toma a iniciativa de elaborar e aprovar os seus estatutos, alterando a denominação oficial para "Grémio Philarmónico Cezimbrense". Por esta altura, apesar de ser objectivo maioritário o ensino da música, realizavam-se já também outras actividades de valorização e divulgação cultural, nomeadamente conferências, palestras de temática cultural, concertos, representações teatrais e bailes. Dado o âmbito abrangente da atividade cultural do Grémio, as instalações que eram usadas tornaram-se pequenas para as aspirações da coletividade, tendo sido essa a motivação que faz com que Carlos Caldeira da Costa, tesoureiro da Direcção e sócio dedicado, promova a construção de um novo edifício, atual sede do Grémio, que vem a ser concluído entre 1878 e 1879.

Na mesma altura (1878) são emitidas acções nominais, subscritas pelos sócios como empréstimo gratuito, destinadas à instalação da nova sede “que dispunha de palco e respectivos camarins, gabinete da direcção e salão de festas, tudo com mobiliário apropriado”. 

Em 1880 o edifício é considerado em condições de funcionamento e a colectividade ocupa, por uma renda de valor simbólico, o seu primeiro andar, sendo que o piso térreo foi destinado à sede, escritório e armazém da firma Caldeira & Filhos de que Carlos Caldeira da Costa era acionista maioritário. 

Em 1891 o Grémio Philarmónico Cezimbrense, vivendo um período de grande esplendor e importância na vida cultural e recreativa da vila, dando palco a belas peças teatrais e concertos,  passou a designar-se Grémio Literário e Artístico Cezimbrense, voltando, a 8 de Junho de 1904, a mudar de designação para Grémio Cezimbrense. 

O edifício-sede respondia às regras que qualquer sociedade recreativa da época impunha, no extremo sul da sua ampla sala, então a maior de Sesimbra, estavam o indispensável palco, o gabinete da direcção e as instalações sanitárias. No extremo oposto, um bengaleiro e um pequeno bar.

Uma das diversões com realização periódica, embora de menor frequência que os serões com teatro ou música, eram os famosos bailes do Grémio, que foram cúmplices de muitos namoros, ciúmes, arrufos e reconciliações entre a juventude de várias gerações.

Dançava-se a valsa, o tango, a mazurca e a elegante e movimentada quadrilha, com suas vénias e marcações. Mais tarde, no início da idade do jazz-band, passaram a ser mais ruidosos e trepidantes os ritmos. Mas seriam os bailes de Carnaval, de excepcional animação e concorrência em Sesimbra, aqueles que mais iriam perdurar na memória de todos.

Uma mesa de bilhar e outra de ténis de mesa eram também chegaram a fazer parte da sala mas a necessidade de ter espaço livre em dias de bailes, representações teatrais e outras festas, obrigavam a que fossem removidas ou desmontadas.

No seu espaço encontrava-se ainda mesas para leitura de jornais e revistas, e para jogos de tabuleiro e de cartas, cuja prática preenchia os serões de muitos associados.

Apontada como uma colectividade elitista, visto que desde a sua fundação teve sempre como associados as figuras mais representativas ou mais influentes na vida local, viria a sofrer, depois da implantação da República, vários desmandos praticados por algumas franjas dos adeptos do novo regime, uma vez que era grande o número de monárquicos existentes Grémio, tendo chegado a estar fechado.

Em 1928, a legislação à época em vigor determinou que os espaços públicos dispusessem obrigatoriamente de mais que uma porta de acesso, facto que conduziu à modificação da sua fachada principal e à criação dos dois acessos laterais e que hoje caracterizam o Grémio como o conhecemos. 

Em 1939 sucedeu nova mudança de designação, já que por Grémio designavam-se apenas organismos corporativos do Estado Novo. Passou então a chamar-se Clube Sesimbrense, nome que se manteve até 2023, data em que houve nova alteração de estatutos e se voltou ao nome mais original de Grémio Cezimbrense, sendo que “Grémio” sempre foi o nome pelo qual era mais conhecido em Sesimbra.

Em 1975, com o arrendamento do piso térreo, a associação passou a usufruir de maiores e melhores instalações para a sua actividade, contudo o grande objectivo dos sócios era a compra da sua sede que se veio a concretizar quando, em 1980, a Direção foi mandatada em Assembleia Geral para avaliar a viabilidade de aquisição definitiva do edifício. A 25 de Novembro do mesmo ano realizou-se a escritura de compra e venda do edifício entre o então Clube Sesimbrense e os herdeiros de Carlos Caldeira da Costa, após um período de negociação que determinou a compra do imóvel pelo valor de 1.000 contos. Este valor foi garantido pelo pagamento obrigatório de 2.500$00 por parte de cada sócio efetivo.

Após um longo período de menor atividade, mantendo-se como o local de convívio para os sócios e continuando a acolher atividades de caráter cultural, o Grémio foi gradualmente começando a abrir-se mais à comunidade, acompanhando a evolução dos tempos e voltando, nas últimas décadas, a apostar no ensino e divulgação da música.

Foi em 2021, ainda durante a pandemia da COVID-19, que um grupo de pessoas, com fortes ligações emocionais ao Grémio, se juntaram para construir um novo projecto com o objectivo de reanimar esta Associação Cultural, na altura com quase 170 anos. O apoio da Câmara Municipal de Sesimbra foi muito importante para que esta revitalização fosse possível.

Houve a necessidade de renovar o Grémio, salvaguardando a sua génese de ensino e divulgação da música e a sua vertente de dinamização cultural, fazendo com que este voltasse a ser um ponto de encontro e de partilha que valorizasse a identidade local, incentivasse a participação cívica e fortalecesse os laços entre gerações. Após as obras de renovação e reabilitação dos espaços interiores, o Grémio reabriu ao público em fevereiro de 2022 com a comemoração dos 169 anos.

Atualmente, o Grémio assegura uma programação constante com Concertos, Exposições de Arte, Standup, Artes performativas, Jogos, Palestras, Debates e programação Infantil, e acolhe aulas de Música, Dança, Oficina de Teatro, tendo um papel importante na dinamização da cultura local. 

O Grémio Cezimbrense é hoje a associação cultural mais antiga do concelho, devendo a sua longevidade às sucessivas direções que incansável e dedicadamente por ela passaram e que permitiram que, com os seus altos e baixos, mantivesse um papel preponderante na vida cultural de Sesimbra. É em diversos aspetos muito diferente da Sociedade que foi formada em 1853, do velho Grémio herdou a paixão e a vontade de construir coletivamente uma comunidade culturalmente mais rica e feliz.


 

Adaptado a partir de:

MARQUES, A.R. (2003). O clube Sesimbrense: contributos para a sua história (1853-2003), Câmara Municipal de Sesimbra, Sesimbra.  

ALDEIA, J.A. (2016). Sociedade Musical Sesimbrense, 100 Anos ao Serviço da Cultura, Câmara Municipal de Sesimbra, Sociedade Musical Sesimbrense.

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